POR QUÊ A PSICANÁLISE E A EDUCAÇÃO? FAZENDO UMA PONTE COM O FILME “PRECIOSA” – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA, COM DIREÇÃO DE LEE DANIELS.


 

DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISAS

FUNESO / UNESF / UNIDERC

ALUNA: TEREZINHA PEREIRA DE VACONCELOS

CURSO: MESTRADO EM PSICANÁLISE EM EDUCAÇÃO E SAÚDE

DISCIPLINA: PSICANÁLISE, EDUCAÇÃO E SAÚDE

PROFª. DRª. SANDRA UGIETTE

ARTIGO

POR QUÊ A PSICANÁLISE E A EDUCAÇÃO? FAZENDO UMA PONTE COM O FILME “PRECIOSA” – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA, COM DIREÇÃO DE LEE DANIELS.

CAMPINA GRANDE – PB

2012

 

SUMÁRIO

 

 

RESUMO………………………………………………………………………………………………..3

 

ABSTRACT……………………………………………………………………………………………3

 

INTRODUÇÃO………………………………………………………………………………………4

 

REFERENCIAL TEÓRICO……………………………………………………………………6

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS………………………………………………………………….10

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………………12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO

O artigo aborda, Por quê a Psicanálise e a Educação? Fazendo uma ponte com o filme “Preciosa” – Uma História de Esperança, com direção de Lee Daniels. Onde a Psicanálise remete-nos a uma abordagem mais ampla para compreensão do objeto do nosso trabalho, e a Educação um processo constante de transformação, onde cada um é mobilizado a querer saber mais, saber de si para saber do mundo, buscar estratégias para novos problemas e sucessivamente deparar-se com questões novas. Enquanto que o filme “Preciosa” é uma história real que mostra um tema muito importante que é o bullying, pois no filme Preciosa sofria bastante. A mesma escreveu em um diário e imaginava a vida que queria ter, mas traz de forma fictícia uma grande realidade, isto é com objetivo de educação entre pais e filhos.

Palavras – Chave: Psicanálise. Educação. O Filme “Preciosa”.

 

 

 

ABSTRACT

The article discusses, Why Psychoanalysis and Education? Making a bridge with the movie “Precious” – A Story of Hope, directed by Lee Daniels. Where psychoanalysis leads us to a broader approach to understanding the object of our work, and Education is a constant process of transformation, where each is mobilized to want to know more, to know you to know the world, looking for strategies to new problems and successively confronted with new questions. While the movie “Precious” is a true story that shows a very important topic that is bullying, because in the movie Precious suffered enough. The same wrote in a diary and imagine the life that he wanted, but notionally brings a great reality, it is aiming to education between parents and children.

Key – Words: Psychoanalysis. Education. The Movie “Precious”.

 

 

POR QUÊ A PSICANÁLISE E A EDUCAÇÃO? FAZENDO UMA PONTE COM O FILME “PRECIOSA” – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA, COM DIREÇÃO DE LEE DANIELS.

 

INTRODUÇÃO

Terezinha Pereira de Vasconcelos

terezinhavasconcelosadv@hotmail.com

 

Sigmund Freud, nasceu em 1856 em Frieberg, território pertencente à Áustria, e que atualmente está anexado a Tchecoslováquia. Filho de família judaica, Freud aos 4 anos muda-se para Viena e lá vai passar a maior parte de sua vida, somente aos 82 anos que ele vai morar em Londres e lá que aos 82 anos morre.A vida colegial foi um marco fundamental para a vida de Freud, ora, desde novo que devido ao seu alto grau de inteligência, as expectativas depositadas no futuro desse garoto foi muito grande, não só pelos seus familiares, como também pelo próprio Freud, onde ele mesmo reconhecia a sua sapiência e consagrava os seus estudos como uma forma de não cair em uma mediocridade intelectual no futuro, justamente por isso que ele dedicava-se aos estudos antes, durante e depois do tempo em que ia a escola. A educação foi fundamental para a vida do jovem Sigmund Freud, além de seu gosto pelos estudos, ele também tinha em sua mente que somente por esse caminho que uma pessoa pertencente a uma família de recursos econômicos pequenos poderia ascender socialmente e culturalmente, a fim de frequentar os grandes círculos sociais vienenses. Ao se formar em medicina, se especializou em doenças mentais, onde atuou como neurologista estando em um campo onde a clientela sofria as chamadas doenças nervosas psicoses, neuroses, esquizofrenia, e histerias. Nessa época os tratamentos estavam centrados em eletroterapia, massagens, hidroterapia ou até mesmo a hipnose. Diga-se de passagem, que é válido destacar essa ultima forma de tratamento, uma vez que, foi a que Freud mais adotou, antes da criação da psicanálise. Dr. Freud se destacou muito dos demais profissionais de sua área, devido à notória preocupação em além de descrever e classificar os sintomas que estava os seus pacientes, buscava também as causas reais de tais enfermidades. Atuando assim como um arqueólogo da mente em suas consultas, sempre anotando e estudando essas doenças. Com isso, ele destacou os seguintes pontos iniciais nesses estudos sistemáticos sobre a mente humana:

  • Existe uma relação entre o trauma (fato desencadeante) e os sintomas, embora o paciente na maioria das vezes não se lembre desses traumas na maioria das vezes (por isso que ele usou muito da hipnose em seus tratamentos).
  • O fator desencadeante teria sido reprimido pela pessoa e afastado da consciência, devido à natureza insuportável do trauma.
  • A vida sexual geralmente está presente em tais traumas, devido a impossibilidade de se descarregar idéias de conteúdo sexual pelo diálogo constante, uma vez que há uma repressão social muito grande a respeito de certos assuntos.
  • O ego expulsa alguns assuntos insuportáveis para fora da consciência, a fim de proteger o aparelho psíquico de perturbações perigosas à integridade.

Nesse contexto, é valido destacar algum espaço sobre a questão da moralidade transmitida pela educação (na época em que Freud foi contemporâneo, ele presenciou uma Europa totalmente inseria na era Vitoriana), pela noção de pecado e de vergonha reprimia por demais a sexualidade, logo, Freud achava que alguns distúrbios da sexualidade resultavam dessa atuação rígida da moral. É importante dizer que, Freud não pregava a idéia de uma barbárie da moral, mas ele problematizava a questão do excesso de moralidade e os seus efeitos psicológicos humanos, nesse contexto, ele aceitava a idéia que, na própria busca de prazer que está inerente a qualquer ser humano está também o próprio desprazer, ou seja, o ser humano já possui um recalque natural em suas estruturas mentais que busca um controle natural sobre o comportamento humano, ou seja, esse recalque por si só, já mantém o homem como um indivíduo cultural, assim o homem além de preservar os seus instintos sexuais naturais ele também irá preservar os seus instintos culturais (comunicação, coletividade, crença etc.). Logo podemos afirmar que a teoria freudiana problematizava não a moralidade, mas o excesso do recalque provocado pela própria moral, que iria somar ao desprazer natural do homem, tornando a sociedade humana totalmente impregnada de valores éticos e morais, suprimindo assim os instintos naturais. Pois bem, quando Freud desenvolveu a Psicanálise , ou seja, uma teoria do funcionamento da mente humana e um método exploratório de sua estrutura, destinado a tratar os comportamentos compulsivos e muitas doenças de natureza psicológica supostamente sem motivação orgânica. Nessa ocasião interessou-se pelo caso de uma paciente, relatado por Josef Breuer, um especialista em doenças nervosas a quem devotou grande respeito. A paciente de Breuer, Bertha Pappenheim,  – na ficha médica “Fraulein Anna 0.” -, de 21 anos, era depressiva e hipocondríaca (um quadro na época denominado “histeria”); ela se acreditava paralítica em algumas ocasiões, ou não conseguia beber água mesmo estando com sede, e se sentia incapaz de falar seu próprio idioma, o alemão, recorrendo ao francês ou inglês para se comunicar. Breuer submeteu-a a hipnose e ela relatou casos de sua infância, e essa recordação fazia que se sentisse bem após o transe hipnótico. O médico, Joseph Breuer  aceitou partilhar com Freud o seu método terapêutico que designou “catarsis” e que consistia em levar o paciente a recordar, pela hipnose ou por conversação, o trauma psicológico sofrido, uma descarga emocional que conduzia à cura.

Esse artigo se fundamenta sobre a pergunta Por quê a Psicanálise e a Educação? A idéia norteada dessa pergunta e, de que por meio de um processo educacional, possa haver um espaço, potencializado pelos profissionais, para a assunção de um sujeito, em cada adolescente, em cada criança que se matricula no Lugar de Vida. Essa aposta, tratar o aluno como sujeito e não objeto. Kupfer, delineia um traçado coerente, que abraça os limites e o alcance de uma aproximação entre Psicanálise e Educação por se tratar de um instrumento de investigação, mas também de intervenção e tratamento das dificuldades escolar, realizado no interior da instituição escolar, visando evitar a exclusão do escolar. O tema, e os conteúdos propostos, implicaram em um trabalho numa dimensão inter e multidisciplinar.

REFERENCIAL TEÓRICO

Por quê psicanálise e educação? De acordo com Davy Litman Bogomoletz (2010), o problema é que numa sociedade fechada como era a nossa até poucas décadas atrás, o conhecimento do que se passa nos bastidores da consciência era tido como perigoso, porque quanto mais fechada a sociedade, maior o teor de preconceitos usados contra o outro e de disfarces para melhorar a própria imagem, e a psicanálise questiona tudo isso. Em alguns países, os conhecimentos derivados da psicanálise vêm sendo cada vez mais usada na educação.

Winnicott, sendo a terceira geração na história da teoria psicanalítica (as primeiras, óbvio, eram Freud e Melanie Klein), já encontrou muitos caminhos abertos, e teve como ir mais adiante. Até então a psicanálise lidava basicamente com doenças e técnicas de tratamento.

Centrada inicialmente na terapia de doenças emocionais, Freud veio contribuir em muito na área social e na pedagogia, pois o ato de educar esta intimamente relacionado com o desenvolvimento humano, especialmente do aparelho psíquico.

Através das reflexões feitas pelo psicanalista, podemos entender melhor enquanto educadores, como se processa em nossos educando o desenvolvimento emocional e mental, pois o ser humano constitui-se como um todo, razão e emoção.

As maiores contribuições da Psicanálise com a educação em geral se dão através do estudo do funcionamento do aparelho psíquico e dos processos mentais, onde ocorre a aprendizagem, do estudo dos vários tipos de pensamento, da aprendizagem através dos processos de identificação e dos processos de transferência que ocorrem na relação professor – aluno.

Segundo Freud, os estudos psicanalíticos devem direcionar-se mais a auxiliar o educador na difícil tarefa de educar, missão quase impossível de ser realizada plenamente, pois o ser humano vive numa constante luta entre suas forças internas, regidas pelo princípio do prazer (id) e as forças externas que impõem juízos de valor (superego) sobre esses desejos. O educador precisa ajudar o educando a buscar esse equilíbrio na construção do eu (ego) para que a aprendizagem possa ocorrer de forma eficaz.

Revelando que o ser humano possui vários tipos de pensamento (prático, cogitativo e crítico), o estudo freudiano lembra a importância que tem a escola poder proporcionar, alargando assim a capacidade do sujeito buscar alternativa por si próprio e desenvolver o prazer de aprender.

Uma grande contribuição diz respeito à aprendizagem por identificação, pois mostra que através de modelos de pessoas que lhes foram significativas o ser humano motiva-se no sentido de equiparar a elas sua auto-imagem.

A teoria de Freud destaca a importância da relação professor – aluno. É necessário que o professor saiba sintonizar-se emocionalmente com seus alunos, pois depende muito desse relacionamento, dessa empatia, estabelecer m clima favorável a aprendizagem. Os estudos psicanalíticos revelam que o ser humano transfere situações vivenciadas anteriormente, bem como demonstra resistências a experiências uma vez reprimidas.

As teorias de Freud podem ser aplicadas ainda hoje na educação. Cada vez mais é preciso vivê-las para entender como se processa o desenvolvimento do aluno tanto emocional quanto mental, ainda temos uma educação que infelizmente trata os alunos como iguais, usando metodologias que ignoram as diferenças e os professores muitas vezes não conseguem analisar mais profundamente os porquês de determinados fracassos escolares, que certamente estão ligados a problemas emocionais ou a metodologias equivocadas que não respeitam a forma de construção do pensamento e as etapas evolutivas dos educando.

Eric Hobsbawn, historiador inglês do século XX, escreve que” A destruição do passado  ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas  é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínua, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do milênio. Por esse motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores.”(HOBSBAWN:1995,13)

A citação de Hobsbawn nos alerta para os significados da História e da construção sócio-cultural deste significado, já que cada época pode rediscutir, ressignificar sua concepção e seu fazer histórico. Mas, por outro lado nos direciona o olhar sobre os aprendizes da História, ou seja, os jovens. Quem é nosso jovem adolescente? Como afetá-lo com as experiências do passado?

O fracasso escolar do aluno e o fracasso da própria escola tem sido objeto de reflexão e da análise crítica da sociedade e de estudiosos.

A competência profissional duvidosa dos docentes, o modelo institucional-autoritário, perverso e ultrapassado, e o indivíduo, ainda em formação, sujeitado em sua fragilidade a esse meio – compõe, infelizmente, o retrato da educação em nosso país.

Refletir sobre esta questão requer, a princípio, uma postura política. Ideológica e, essencialmente, uma postura de humildade, a saber-se sempre no papel de aprendiz da construção do conhecimento, de aprendiz da aquisição dos saberes que fundamentam a relação ensino-aprendizagem.

Para além de prédios, de novas tecnologias e de todas as inovações que o porvir possa incorporar ao processo pedagógico a grande meta é, e sempre será, o sujeito. A qualidade da pedagogia é uma tarefa humana que prescinde de uma visão ampla e crítica em constante evolução, nutrindo-se da interdisciplinaridade e compondo uma visão holística sobre o ato de ensinar e qualificar o sujeito para ser um agente de transformações do seu tempo – e, não adaptá-lo destruindo assim sua subjetividade; qualificando-o, então, a ser escravo do seu tempo. Portanto, mais que ensinar ou mais que transmitir conhecimento; ou ainda fazer parte do processo de construção cognitiva; os que se colocam no lugar da transmissão de um suposto saber têm a responsabilidade de aceitarem para si o desafio – do lugar ocupado – vazio por excelência; já que ainda não concluído (quiçá nunca!),que é preenchido pela expectativa, pela esperança de ascender-se à esse espaço privilegiado onde se supõe haver um instrumento, uma ferramenta que abrirá portas – internas e externas a esse sujeito – Aprendiz por natureza nomeado: Aluno. Até que todas as grades escolares sejam derrubadas libertando as diferenças e a subjetividade; até que construir o saber seja permitido e louvado; até que a afetividade seja um ingrediente necessário e trabalhado – O professor há de ocupar esse lugar. Entretanto. Se estiver consciente da impossibilidade de preenchê-lo (mas da necessidade de ocupá-lo) sua função será com certeza exercida sem hipocrisia e arrogância, mantos que vestem os espaços destinados ao poder.

Essa concepção exige do professor um amplo domínio tanto do conteúdo a ser ensinado quanto um conhecimento pedagógico para que possa selecionar estratégias mais adequadas para colaborar com a reorganização dos conceitos do aluno. Requer, também, um aprofundamento do saber das relações humanas e suas vicissitudes. Pois, no processo ensino aprendizagem, acima de métodos e técnicas, interagem pessoas de diferentes formações, afetos, carências e demandas. Onde se insere, na maioria das vezes, totalmente despreparado, a figura do educador como mediador e continente de todos os possíveis conflitos que surgem nos relacionamentos dessa natureza.

Esta visão holística do processo ensino-aprendizagem pressupõe uma reorganização dos conteúdos a ser trabalhados, exigindo uma visão mais ampla do conceito de “disciplinas” A interdisciplinaridade é, sem dúvida, uma meta a ser buscada, na medida em que o conhecimento não deve ser fragmentado em disciplinas isoladas, mas sim trabalhado numa visão globalizante e integracional.

Gusdorf citado por Fazenda (1991), afirma que o que se designa por interdisciplinaridade é uma atitude epistemológica que ultrapassa os hábitos intelectuais estabelecidos ou mesmo os programas de ensino. A idéia de interdisciplinaridade é uma ameaça à autonomia dos especialistas, vítimas de uma restrição de seu campo mental. “Eles não ousam suscitar questões estranhas à sua tecnologia particular, e não lhes é agradável que outros interfiram em sua área de pesquisa”.

Longe de propor uma articulação teórica reducionista, a reflexão pedagógica sobre a crise educacional deve voltar-se para toda importação conceitual que beneficie a abordagem do sujeito dentro do processo ensino- aprendizagem: e que avalie, simultaneamente, a posição do educador e sua formação como indivíduo e técnico.

A escola passa por um momento grave de transição – onde a falência do modelo vigente reflete-se no conflito entre o que foi e o que há de vir. Entre o velho e o novo. Equivocadamente pouco se discute em profundidade as verdadeiras causas conflitam. No afã de conservar-se o modelo falido, fala-se em novas tecnologias educacionais, em mais eficiência, produtividade, adaptação dos sistemas educacionais para os tempos de intensa competição internacional, da necessidade do uso do computador como uma nova metodologia redentora de um passado distante – ” de cartilhas, quadro-negro, giz e palmatória” – que, contudo, perpetua-se ideologicamente sob a máscara da modernidade.

Enfim, sem tomarmos o rumo da história, assumindo as rédeas de nosso próprio destino e todas as transformações que realmente tragam o novo – contanto que o novo seja adequado para o nosso processo de evolução, sem vivermos o conflito da mudança e suas vicissitudes em profundidade; não há chance de sairmos do momento de estagnação e da falência em que nos encontramos enquanto educadores e instituição. E a escola, enquanto tal, continuará a produzir, em série, sujeitos aptos à se adaptarem as rodas da engrenagem – asujeitados e alienados à uma ordem – sem condição de reflexão e de transformação. Sofremos assim, nos tempos de hoje, do apelo Faustiniano: mantermos viva a qualquer preço – num pacto com forças poderosas – o que já se encontra em seu último fôlego de vida  A escola; eternificando-a com a máscara da modernidade, mantendo a sua ação destruidora da subjetividade criativa. – “Ou a deixamos morrer e re-criamos um novo e genuíno sistema de transmissão do saber e construção do conhecimento”. Mais do que receptáculos de conteúdos textuais e hipertextuais, esses suportes foram contextos de leitura nos quais as significações se constituíram.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Educação  é um processo constante de transformação, onde cada um é mobilizado a querer saber mais, saber de si para saber do mundo, buscar estratégias para novos problemas e sucessivamente deparar-se com questões novas.

Educar é um processo de tornar-se melhor sempre comparado consigo mesmo, atuar no mundo de uma forma consciente de seu papel, responsabilizando-se por seus atos. Educar é olhar para além daquilo que se percebe e ter metas de onde se quer chegar.

No início de nosso século, neste novo elo social do adolescente, da criança educada, disciplinada, futuros homens para uma sociedade harmoniosa, surge Freud com a psicanálise operando no sentido oposto ao dos ideais. Por sermos seres falantes, seres de linguagem, o mal-estar na cultura é incurável – não se pode adotar um ideal da adaptação. Por isto nenhuma pedagogia, nenhuma ortopedia da civilização, nenhum governo poderá prometer um bem supremo para o ser falante.

Nem a educação, nem a psicanálise poderá prometer um bem. Sabemos que aqueles que nos procuram vêm em busca desta felicidade. E é com esta busca da felicidade que o sujeito da psicanálise entrará no dispositivo analítico transferindo para o analista uma suposição de saber. Esta transferência que é o motor do trabalho analítico que possibilitará que o sujeito do inconsciente se constitua. Ela mesma no decorrer de uma análise terá que cair. O ato analítico inclui uma renúncia aos poderes que a transferência confere.

Já para o educador, onde a transferência é o motor para que o adolescente, a criança aprenda, ele tem cada vez mais que mante-la e sustenta-la. O educador reforça o eu do educando visando fortalecê-lo. É o oposto do trabalho de uma análise. Onde o analista por se abster de modelar, de querer guiar os pensamentos de seus analisantes, apoia-se no inconsciente para suspensão do recalque.

Não há relação entre educação e psicanálise; mesmo elas usando o mesmo motor vão para direções opostas. O único ponto que pode nos articular a psicanálise e educação é a análise do educador e a análise do adolescente, da criança. Pois a criança em análise trabalhando seu sintoma terá possibilidade de uma melhor posição no mundo, melhor aprendizagem na vida. E o educador trabalhando seu sintoma se desprenderá do poder de seu narcisismo; e não mais fará do adolescente, da criança seu ideal. O educador reconhecendo a existência do inconsciente pode renunciar a toda fantasia de domínio e de adestramento. Então, deste novo elo social em torno da criança educada, o passo freudiano foi anunciar a verdade que se impõe no sintoma. E não, em nome de uma nova moral, mas sim, no sentido oposto ao dos ideais.

O grande desafio é começarmos a aceitar de que o mundo mudou e com ele A meu ver é preciso refletirmos sobre o como estamos fazendo educação, há todo um contexto de Psicanálise e Educação a ser estudado e pesquisado, uma interlocução possível de passarmos a escutar os “apelos silenciosos” que estamos deparando na educação como; fracasso escolar,indisciplina,desmotivação de professores e alunos e tantos outros obstáculos. 
É preciso refletirmos quem somos nos nossos desejos , porque nos tornamos educadores e de que forma estamos atuando na educação para que possamos começar a remover nossas barreiras internas de um senso comum que vem tomando conta da educação do tipo: nenhum aluno quer nada com nada, as famílias delegam para escola o que é função deles, o professor é uma vítima do sistema e assim seguimos reproduzindo um discurso vazio de significado sem buscarmos uma solução para tantos desencontros. 

Como por exemplo no filme “A Preciosa” podemos observar que Preciosa era uma garota negra e sem escolaridade e sem família, sua mão não gosta que ela fosse para a escola porque achava que não tinha futuro. Uma garota de 16 anos é violentada pelo um monstro que além de ser do mesmo sangue a obriga a chamá-lo de pai, e sem dizer que o apoio e carinho que ela merecia de sua mãe, o ciúme tomava conta. Uma história triste, mas com muita esperança. Preciosa muda para uma escola de apoio e conhece novos amigos com histórias diferentes, amizades que nunca imaginou ter. Pois nunca devemos julgar as pessoas e sim respeitá-las sempre como elas são. Preciosa ficou sabendo que seu pai morreu com a doença H.I.V. O filme mostra um tema importante que é o Bulliyng, pois a mesma sofria muito. Preciosa escreve um diário e imagina a vida que queria ter. É um filme violento, pesado, mas traz de forma fictícia uma grande realidade, isto é, com objetivo de educação entre pais e filhos. Somente alguém que possa sondar as mentes dos adolescentes será capaz de educá-las, e nós, pessoas adultas, não podemos entender os adolescentes porque não mais entendemos a nossa própria infância. Nossa amnésia infantil prova que nos tornamos estranhos à nossa infância” ( Freud, 1900).

Façam um exercício diário de suas escolhas e lembrem-se: Nós temos escolha de continuar ou não em nossa profissão, se optamos em continuar é preciso indagarmos de que forma poderemos transformar nossa prática para que a Educação volte a ser respeitada começando por nós.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BOGOMOLETZ, Davy Litman. A importância da Psicanálise na Educação. Rio de Janeiro, 2012.

HADDAD, Jane. Psicanálise e Educação: uma Interlocução Possível. São Paulo, 20111.

HOBSBAWN, Eric. A destruição do Passado. São Paulo, 1995.

MEZAN, R. Freud. Pensador da cultura. São Paulo, 1985

KUPFER, M.C. Freud e a Educação: O mestre do Impossível. 3ª Ed. São Paulo. Editora Scipione, 1997. Textos: PSICANÁLISE: SUA CONTRIBUIÇÃO À EDUCAÇÃO. DESENVOLVIMENTO

Filme: “Preciosa”

<http://www.youtube.com>. Acesso em: 28-08-2012-19:12

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